segunda-feira, 3 de agosto de 2009

David Belle - Eu Salto de Telhado em Telhado - 2009

O Parkour é um método de treinamento que nos permite ultrapassar obstáculos, tanto no meio urbano como no natural.
É uma arma camuflada. Treinamos pra quando encontrarmos um problema, sermos capaz de enfrentá-lo. Pode ser a arte de voar,perseguir,ajudar alguém com dificuldade,ou algo comum.
Aconteceu comigo de uma vez precisar escalar até o segundo andar e ajudar um cara que esqueceu as chaves. É idiota, porque estava bem ali. E sabia que a janela estava aberta. Ele só precisava pegar a chave. Então pediu pra mim, ''Você poderia...uh...?'' E eu: ''Claro que sim''.E então eu usei o que sei somente para abrir a porta dele. Mas se ele tivesse preparado... bom, isso tudo não teria sido um problema.
Eu creio que o resultado final do Parkour é sermos totalmente autônomos em nossa vida.
É ser capaz de fazer as coisas por si mesmo.
''E aqui estou...ainda não salto tudo isso,mas vou treinar pesado,repetir 50 vezes
pela manhã e pela noite.Em um mês,eu terei conseguido.''
Isso tudo é auto-conhecimento.
Estabelecer objetivos e alcançá-los. Porque se você não tem um, você é somente uma folha no vento e que não sabe onde vai parar. Mas quando você encontra uma razão para o que está fazendo, mesmo que seja em outras áreas artísticas e não necessariamente o Parkour, então, você estará na busca pelo seu significado.
Sempre que questionaram sobre o Parkour perguntam:''Por que você faz isso?
Qual o seu...''
E a resposta está escondida dentro da filosofia ou da movimentação que você está trabalhando. Mas se você visse um macaco...se o parasse no momento em que salta de um galho, se você apertasse o ''pause'' e perguntasse: ''Por que você faz isso? Por que está se movendo?''
Eu acredito que ele te responderia:
''E você? Por que não está se movendo?''
A coisa mais impressionante nos conceitos do Parkour urbano é quando você percebe que aqueles seres humanos,se movendo fora do seu objetivo padrão.
É o caso do cara que construiu corrimãos nas escadas,ou então uma parede, ele não fez pensando em mim.''Oh yeah, então ele vai saltar daqui,essa é a distância correta.Ou talvez...''. Ele construiu e nós fomos lá e encontramos um caminho, como num jogo. Um jogo da sociedade...Um pouco...um pouco...
Você olha e enxerga o que é possível,e não o impossível.
E quanto mais bom senso tiver, menos risco você corre.
Quando você vive sob uma arte - não importa qual - e se doa a ela, sua mente se abre para outras coisas, e ela faz com que você entenda melhor a vida.
A medida exata porque o excesso mata. Por isso eu carrego comigo o que o meu avô dizia: ''Você precisa usar e não abusar''.
Essa são frases que retornam a minha cabeça a todo momento.
Eu sempre repito:''Essa é a base. Assim me ensinaram''. Você não pode ser ignorante a vida toda.
Não pode...Você não pode usar seu corpo de qualquer jeito. Chega o momento que você precisa seguir regras. Como as leis da física.
E por mais que diga:''Sim,eu não tenho medo'',você não vai se jogar de 10 metros! Você não pode saltar 10 metros. Então você é obrigado a seguir um tipo de treino.
E é esse treinamento que você pode dizer:''Legal. Posso progredir por mim mesmo.''. E compreender até onde está disposto a ir.
Eu comparei o que meu pai me ensinou,com o que aprendi treinando...E percebi que ele não tinha mentido pra mim. Ele não me disse:''Vai lá David. Pule daí. Não tenha medo. Não vai acontecer nada. Você não vai se ferir''.
Ele me diria pra eu ser cauteloso com o que eu estivesse fazendo.
E que não deveria fazer certas coisas. E cara... no fim das contas eu devo tudo à ele. Não é fácil você ter um filho e assistir à ele saltar de um lugar alto, e ficar parado assim e dizer:''É,foi bom, mas tente usar mais as pernas porque nessa daí você não usou...'' e ficar dando dicas pra ele. Mas hoje em dia eu só escuto:''Tome cuidado! Você vai se machucar!''
Eu tenho a impressão de que o medo é transferido. Você pode inspirar coragem, mas também pode inspirar muito medo. E nós estamos em uma sociedade... Hoje,todos vivem com medo. Todo mundo tranca suas portas. Todos se estressam. Todo mundo é... como poderemos confiar em pessoas assim? E se hoje a nova geração tiver exemplos onde eles aprendam a ter um pouco de coragem e confiança em si mesmos, eles serão os pais do amanhã. Então essas pessoas,quando tiverem seus 30 ou 40 anos, serão pessoas que vivenciaram o parkour e com ele aprenderam seus valores. Então eles repassarão esse ensinamento para seus netos.
Ao contrário de:''Isso não!Tome cuidado! Coloque casaco! Você vai se resfriar!''
''Não!Se for aí você vai cair!''. Porque se for pra ser assim,é melhor todo mundo se trancar em suas casas. E então nada irá acontecer conosco. Mas a vida está lá fora. Se temos dois braços e duas pernas,é pra...é pra... pra sairmos e ver o que está acontecendo. E não ficar trancados como se fossemos árvores. Não há forte e fraco. O que hoje é importante... É ter espírito para seguir até o fim pelas causas que você defende.
Amanhã,você entra numa briga ou acontece uma confusão, mas se a sua causa é boa, você sempre vencerá. Mesmo se fisicamente você perder. O cara que fisicamente te derrota e quebra as suas pernas, você pode dizer: ''Verdade,você me derrotou fisicamente, mas o que está na minha cabeça, você não atingiu.''
''Você não pode entrar nela e mudar o que está lá dentro.''
Se eu disser pra você que é assim, e estou certo que é, você nunca perderá. E isso é o importante. Então, agora, com o Parkour, você pode se machucar,ou o que for... mas não é porque mesmo eu, pessoalmente, amanhã, posso me machucar treinando Parkour... Isso pode acontecer sempre... mas apesar disso eu sempre acredito nos mesmos valores.
Porque mesmo os animais caem. Eles se lascam. Mas quando eles caem, não é concreto. É muito similar as artes marciais. No método de treino. Na disposição em lapidar um movimento ou uma técnica. Então sim,você poderia dizer que ele se aproxima das artes marciais. Eu creio que trata-se da mesma filosofia. A mesma forma de aprender as coisas...
Olhar pra um oponente e dizer:''OK, esse cara é melhor que eu,então eu preciso atacar por baixo por causa disso ou aquilo...'' ou ''Esse cara é muito rápido, então eu vou tentar fazer...''.
Através do nosso oponente é que adaptamos a nossa técnica. Nós sabemos no que precimos ter cuidado, não importa se estamos em um combate de perto ou em uma luta no chão. Quando você se depara de frente com um obstáculo, é a mesma coisa.
''E agora? Eu vou segurar naquilo. Mas e se escorregar como me salvo? OK,ali!''
Você aprende a analisar. É a mesma coisa. Pelo menos pra mim é o mesmo mecanismo.
Acho que o medo estará sempre lá. Mas chega um momento em que a sua confiança é tão grande que quando você está prestes a saltar,você diz:''Eu já fiz isso umas 500 vezes e nessas 500 vezes nunca aconteceu nada. Por que é que agora estou preocupado em cair?''
É que o medo ás vezes nos faz perder a memória. É como o cara - sempre vou falar em combates - que treina somente em seu clube. Ele faz seus golpes o ano todo. Treina suas rotinas. Um dia ele se mete em confusão. Pressão pra todo o lado. O outro cara não é o seu professor e pra ele não importa que arte marcial você luta. O que ele sabe é que se não entregar a carteira, ele está encrencado. Então ele entra em pânico.
Você quer dizer:"Hey! Acorde! E o que você fez o ano todo?''
''Você não treinou para este momento?''
''Sim,mas agora eu não consigo,porque eu estou paralisado...''
''Bom,então você não aprendeu nada.Foi inútil.''
É mais ou menos assim. Você deve treinar para que quando a necessidade real aparecer, Você consiga agir. E quanto mais o seu treino se aproximar da realidade, no dia em que estiver que confrontá-la,você não sentirá diferenças. Porque realidade é quando você é confrontado com realidade. É isso.
Quando se aprender algo no fofo ou o que seja,e de repente fica sem... ou quando se é atingido com luvas de borracha e pensa ''oh, que soco!''. Não.
Um soco de osso mesmo no seu rosto não tem nada a ver com aquilo. Quando sua cabeça leva o choque e então você nem sabe onde está...
Se você nunca levou um soco na vida então nunca entenderá o que de fato é.
E eu acredito que é assim. Mais ou menos assim. Quando você se doa à algo, você sabe os riscos, e você não é pego desprevinido, porque...''Ah sim,é verdade. Eu fiz parkour mas torci o tornozelo.''
''Vou parar de treinar esse esporte porque é muito perigoso.''. Você já sabia.
Um caçador ou o que seja, um carinha de uma tribo, ele escala as árvores. É claro que acontece dele cair e se machucar. Mas pra ele: ''Eu tenho que fazer isso! Se não, a gente não se alimenta.''
''Eu preciso escalar as árvores.''
No momento que você deixa sua casa, você já está em perigo. Quando você vai no metrô é perigoso.
Você poderia estar na borda dos trilhos com sua maleta, achando que está seguro e do nada vir um cara correndo porque o amigo dele quer pegá-lo, ele se esbarra em você e você cai nos trilhos. Você não queria terminar ali,mas aconteceu... bem naquele dia...
É quando você entende que o dia que você tiver que ir, você irá.
Então vá lá e faça suas coisas, viva sua vida e pare de viver com medo.
''Ah não!Você não deveria fazer porque...''.Ou o cara que diz:
''Não,eu não tenho um carro.''
''Eu não dirijo porque é perigoso! Acontecem muito acidentes!''
Mas um dia,ele está atravessando a rua e é atropelado.
O cara que vive trancando as portas pra ninguem entrar, acontece um vazamento de gás e o prédio explode. Não há realmente nada que você possa fazer que te proteja totalmente dos perigos e dos riscos. A vida já é um risco. A vida é um risco permanente. Nós corremos riscos a todo momento quando falamos com as pessoas.Quando noivamos com alguém e confiamos, nós corremos um risco. Então o macete é saber que ele existe e vivermos com ele.
Pessoas que dizem:''Você viu? O cara no muro da escola?''
''Ele não deveria estar lá. Oh la la!''.
Essas pessoas te dão a impressão de que você está fazendo alguma coisa errada.
Mas você tá lá, e se pergunta:''Qual é o problema?''
Se um gato estivesse ali, ou um pássaro aqui pousasse, vocês não iriam jogar pedras nele.
É um ser vivo! Tem um coração batendo ali dentro. Então porque por eu ser humano e saber falar, você vem e diz:''Ei, você não pode estar aí. O que vai fazer com essa parede?''
''Bom,não sei. E você?O que está fazendo aí me olhando? Se virasse sua cabeça pra lá, e seguisse seu rumo, com certeza você não me veria! Eu não estou te incomodando! Então siga o seu caminho. Se você está indo à padaria, compre seu pão e volte pra sua casa. Porque você está se intrometendo no que eu faço? E quando você fala comigo, me desconcentra quando eu vou saltar. Se eu cair a culpa é sua! Porque você me desconcentrou ao iniciar essa discussão. Eu estava concentrado no meu treino. Parei por você. Saltei e...BAM!Cai. E então o que você vai fazer? Será que você vai vir me ajudar e me levar até um hospital? Se não vai... se o que tem a dizer realmente não é relevante pro que estou fazendo, viva sua vida.''

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Parkour Power ToThe People

Por: Peter Bell
Tradução: Fernando

Existe um movimento, um movimento em massa, correr livre pelas cidades, transpondo obstáculos sem esforço, escalando ou se equilibrando em praticamente qualquer obstáculo em seu caminho.
Movimentos executados com uma força, velocidade e graça incríveis.

Isto é parkour. Uma revolução nas ruas, nos ginásios de esportes e nas paredes das cidades.

Lutando contra a ansiedade, chatice e supressão de movimentos: “caminhe, não corra”, “não fale”, ”sem jogos com bola” e definitivamente sem diversão.

Parkour pode liberar o poder da juventude e nós temos provas…
Os rebeldes se tornam auto-corrigidos e são redirecionados. A confiança é construída, as habilidades são desenvolvidas e os medos encarados.
Apatia e Agressão se transformam em Energia e Progressão! Gordura se torna massa muscular e tempo de crime é substituido por tempo de treino.

As viagens, o sucesso, recordes pessoais e sucesso do grupo, todos os níveis de habilidade e condicionamento são bem-vindos.

Gênero, etnia e CEP são irrelevantes. Respeite a si mesmo e aos outros. Construa pontes. Faça amigos e incentivem um ao outro. “vamos todos nos tornar fortes juntos”. Ninguem é deixado para trás.

Liberte o movimento, liberte as mentes, redefina o que é humanamente possível.

Apesar de se ter feito progresso existe muito mais a ser feito. Você deve se mover para melhorar... e o impulso do parkour está sendo construido todo dia.

Então questione-se “o que posso fazer para participar desta revolução?”
Passe a mensagem a todos que encontrar, explique, demonstre, repita.
Faça apresentações em escolas e grupos da comunidade, crie clubes de parkour, pule, se equilibre, escale sempre que tiver tempo. Comunique-se com amigos e treine como um grupo.

Liberte o movimento.

“use o ambiente para se manter condicionado””você não é tão velho para pular por aí!””Rompa com a condicionamento social e pegue este atalho””Mova-se da forma que quiser em público”

Conte à sua família, seus amigos, seus filhos e filhas. Ajude-os a ser o mais saudável e silenciosos que eles possam ser.
Espalhe a palavra, deixe o parkour ser visto e ouvido.

Você é um libertador do movimento humano!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Contato!

Para quem quiser entrar em contato com o parkour, reportagem, trabalhos, quer começar a fazer, etc. Entre pelo orkut nas comunidades a seguir:



Att. Leonardo Mendes - Parkour Porto Alegre

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Metas Impossiveis

“As pessoas bem sucedidas têm êxito porque sabem onde querem ir. Você deve decidir o que você quer ser e o que você deseja alcançar.

A melhor maneira é estabelecer metas que lhe indicarão a direção certa. Metas também ajudar-lhe-ão a determinar quando você tiver chegado – ou se você saiu do rumo traçado.”

Esta frase é uma explicação resumida do significado da palavra “meta”.

Estou puxando esse assunto, pois depois de ter esta convivência com nosso amigo Leandro, que já se foi pra Brasília novamente! Estando com ele, percebi que por mais que eu treinasse, me esforçasse, tentasse chegar num limite físico e superá-lo, não iria me fazer evoluir, ser algo melhor, tanto como pessoa ou como tracer, mas sim, me sentiria cada vez mais fraco e cansado.

Conheci uma nova idéia, a idéia das “Metas Impossíveis”! Não é uma idéia onde nós tentaremos traçar metas que ninguém jamais traçou, ou tentar fazer algo realmente impossível, mas sim, tentar chegar num ponto onde nunca chegamos antes!

Baseado nisso, que em meu último treino resolvi finalmente por em prática e fiz um acordo comigo mesmo, onde deveria fazer 50 planches, em séries de 5 e seguir para 100 laches, onde no mínimo 10 eu terminaria com um planche.

Quando comecei a fazer meus planches, já estava com aquele pensamento: “Puts! Onde eu to com a cabeça! Isso é demais pra mim!”. Chegando na casa dos 40, já estava fazendo meio matado os planches e quase desistindo, mas foi quando terminei o quadragésimo e parei para descansar que percebi que se eu desistisse naquele momento, estaria quebrando um acordo que talvez mudaria todo meu modo de ser, viver, pensar e agir. Algo que tomaria conta amanhã depois, quando fosse tomar alguma decisão profissional, ou pessoal mesmo e lembrasse que se eu quebrei um acordo comigo mesmo, como eu seria com os outros?!

Descansei por aproximadamente uns 20 minutos e retomei os planches! Pronto, aquela fase da meta eu já teria comprido e pensei: “Bom, faltam apenas 100 laches com alguns seguidos de planche!”. Parei para descansar mais um tempo e encontrar algum lugar para fazer lache aqui perto de casa! Cheguei numa praça onde tem uma árvore com um lache de mais ou menos 8 pés. Não era muito alto, portanto não tive esforço para me pendurar, mas logo que o fiz, senti meus braços meio dormentes, dos planches que tinha acabado de fazer e pensei novamente: “Onde eu to com a cabeça achando que vou fazer isso!?!?!?!” e desci, sentei num banco e fiquei olhando para o céu! Lembrei do que li sobre metas e no que aprendi sobre traçar “metas impossíveis” e comecei a fazer os laches! Aparentemente fáceis os laches, cheguei rápido na casa dos 50 (uns 40 minutos ¬¬’) e lembrei que tinha dito que faria no mínimo 10 seguidos de planche!

Quando fui tentar o primeiro, o planche saiu completamente “tosco” digamos assim, e foram assim nos outros 9! Mas consegui, terminei os 10 que havia prometido, totalizando assim no treino, 60 planches! Faltavam 40 laches, mas segui em frente!

Hoje, dois dias depois desta vitória de ter feito uma primeira meta impossível, percebi que valeu a pena o suor, o cansaço e a dor! O que quero dizer é que não importa o que nós queremos fazer, mas que sempre saibamos que não estamos treinando para os outros, mas sim, para nós mesmos!

Leonardo Mendes – Parkour Porto Alegre

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Associação Gaucha de Parkour:
Lei das Médias

http://blane-parkour.blogspot.com/;

segunda-feira, 16 de março de 2009

Lei das Médias



"300 cat-pass precisions nivelados. Isto que farei! Soou como um bom desafio para o tardar daquele dia. Faz um tempo que eu não me foco nesta técnica, então sinto que devo dar um pouco mais de atenção a ela esta noite.

Por todo o dia, o pensamento da próxima secção de treinamento passa pela minha mente, mas minha atenção está voltada para o que alguém me disse no começo da semana enquanto eu finalizava um precision, “Você vai cair e se machucar qualquer dia desses!” ela havia dito aquilo com um sorriso no rosto, e eu não podia deixar de imaginar... ela estava certa? Seria eu uma vítima da “lei das médias”, afirmando que algum dia, em algum lugar, eu iria errar um movimento básico e acabar me machucando seriamente? Era isto uma inevitabilidade que estaria além do meu controle? não era um pensamento agradável.

É frequentemente dito que os momentos mais perigosos em seu treino ocorrem enquanto você está executando as técnicas mais simples e apenas não está prestando atenção suficiente. Eu raramente ouvi falar de alguém que tenha se machucado seriamente ou errado um big jump onde estivesse totalmente focado e concentrado, então, o que eu poderia fazer para provar a mim mesmo que eu não era uma vítima? que eu estava de fato no controle da situação?! A resposta veio rápido, esta noite eu não erraria!

Então 300, se tornaram 300 em seqüência. Se eu errasse o precision, passasse ou não chegasse na outra mureta, se meus pés não permanecessem estáticos nela ou mesmo errando as mãos no momento do cat-pass, eu voltaria ao começo, do zero. Chamem isto de controle de qualidade... ou loucura – era provavelmente um pouco dos dois.

Quando eu cheguei ao local que eu havia planejado executar este experimento, não fiquei muito feliz em encontrar as paredes ensopadas. Úmido, escuro e escorregadio, com musgo surgindo das rachaduras, as paredes de arestas vivas me cumprimentaram com um brilho ensebado e eram ameaçadoras ao toque. Ótimo.

30 minutos mais tarde, depois de relaxar e aquecer, uma pressão interna começou a crescer dentro de mim a cada repetição sucedida. 3 tornaram-se 20, 20 tornaram-se 50, e o pensamento de ter que começar tudo novamente começou a me preocupar, tornando cada repetição mais assustadora que a anterior, a única maneira de opor-se a esta distração crescente era me forçar a tratar cada pulo como se fosse o primeiro da noite.
Eu ia focar minha total atenção sobre a ligação com a primeira mureta de maneira “limpa”, empurrar o suficiente e “aterrisar” na segunda, e permanecer ali. Por um tempo eu senti que as coisas estavam indo bem, mas conforme minha confiança aumentava, também cresciam minhas chances de erro.

Se realmente houve uma “lei das médias” não escrita, então quantas vezes eu deveria cair em 300 tentativas, dando-se as condições de umidade e falta de iluminação?

Duas horas se passaram quando eu atingi a metade do caminho, era 21:30 e eu havia gerido 150 cat-pass precisions nivelados, meus antebraços sentiam-se como chumbo, eu nem mesmo havia considerado o esforço físico que este desafio tomaria. Balançando-os um pouco, eu pensei sobre a técnica e descobri que era como estar na posição de flexão e empurrar com força suficiente para deixar o chão temporariamente, uma vez atrás da outra. Eu estava cansado, eu estava dolorido e eu sabia que embora fosse capaz de alcançar o ilusório numero 300, serial realmente doloroso ter de recomeçar tudo a qualquer momento.

Dez minutos depois eu recomecei o processo e a 151ª repetição veio de maneira estranha. Eu não estava bem certo de quanto eu havia descansado na breve parada e a técnica em si repentinamente pareceu estranha em minha cabeça. Chega de pensar! esta é apenas uma técnica simples.

Eu. Não. Posso. Errar. Agora.

200 repetições, neste ritmo eu acabaria as 23:00... 3 horas e meia depois de começar. Se eu errar agora pode ser que eu assista o nascer do sol sobre meu ombro mais tarde. Dou um pequeno sorriso enquanto penso que talvez isto seque um pouco as muretas, se não outras coisas.

280 repetições, meu cérebro havia se desligado, não havia mais pressão nenhuma. O processo era automático e apesar de meus antebraços implorarem por liberdade da punição, eu havia entrado em um ritmo. Eu iria passar sobre a primeira mureta, aterrisar na segunda, virar-me, saltar de volta, descer para o chão e alinhar-me para outra, repetindo a frase “permanecer reto, força média” em minha mente o tempo todo. Esta se tornou a minha maldição, havia começado vinte minutos antes e eu não podia parar agora. E se esta fosse minha sorte, minha chave para terminar isto?

Eu honestamente não sei se teria começado novamente caso houvesse errado, fisicamente, eu acho que não poderia agüentar outras 300, embora já houvesse aprendido a minha lição...

Não há lei que declare que um dia iremos errar, com concentração suficiente, foco suficiente, devido cuidado e atenção, nós podemos repetir uma simples técnica centenas de vezes por horas e não cometer nenhum erro. Acidentes acontecem e algumas coisas estão além do nosso controle, mas nós podemos reduzir drasticamente nossas chances de erro se tratarmos cada movimento como algo importante, algo que merece cuidado.

Ao fim, eu não realizei 300 cat-pass precisions.

O 301º foi para a simpática senhora que inspirou meu desafio daquela noite."

- Blane

Post original: http://blane-parkour.blogspot.com/
Tradução por Maurício Dellazari Silveira (morrys.silveira@gmail.com)
(desculpem qualquer erro, 1ª tradução... além do mais só dei um ctrl+c e ctrl+v no google translator... hasiuhuiash. (mentira))

quarta-feira, 4 de março de 2009

Método Natural & Parkour

Hoje,em um domingo(01/03) de chuva sem muito o que fazer,decidi pesquisar um pouco
sobre a relação do Método Natural com o Parkour,e descobrir tais coisas como:
de onde vieram?ambos coicidem em suas filosofias e/ou seus métodos? e por aí vai...
Fui até Google,comunidades do Orkut e li sobre o assunto,abaixo segue resultados da
pesquisas e algumas coisas escritas também por mim:

"O Método Natural é,por conseguinte,a codificação,a adaptação e a gradação
dos procedimentos e meios empregados pelos seres vivos em estado de natureza
para adquirir seu desenvolvimento integral.[...] nenhuma cultura física dita
científica,fisiológica ou outra,jamais produziu seres fisicamente superiores
em beleza,saúde e força a acertos habitantes naturais de todas as regiões do
mundo: indígenas de todos os climas,negros da África,indígenas da Oceania etc."(Hébert, 1941)


Nascido em Paris(1875),Hébert tornou-se oficial da marinha destacado na cidade francesa de
Saint Pierre.Em 1902 a cidade cai,vitima de uma catastrófica erupção vulcânica e,
heroicamente coordena o salvamento e resgate de 700 pessoas.
Após isso Hébert,reforçando a sua crença que as capacidades atléticas devem ser
combinadas com coragem e altruísmo,sistematiza um método de treino para cultura física
padronizado nas habilidades indígenas que havia encontrado.
Comporta-se em características naturais:resistência corporal ao frio,endurecimento,
utilização do meio natural como terreno de exercício,exercícios utilitários,nudez
controlada.
Todo o trabalho toma por base a utilidade das ações e representa um retorno à natureza
adaptado à vida urbana moderna e concernente às atividades práticas da vida em sociedade.
Hébert acentuava, em suas propostas de educação, a necessidade de ser forte, definindo
que “ser forte” significa se desenvolver não só de maneira completa, mas útil.

“Etre fort pour être utile” ou “Ser forte para ser útil”

Acho que já,apartir dessa frase se pode tirar opiniões relacionadas ao Parkour.
Ser forte não está inteiramente ligado ao físico do praticante,mas também a sua
mente,ao seu modo de pensar e agir em cada situação,e além de tudo,ser altruista.
Pode se dizer então,que o Parkour seria tanto uma aplicação física,como mental
do Método Natural,em questão de movimentos,que visam fuidez,velocidade sem perda
de energia e tudo relacionado ao respeito a altruismo.
Hébert criticava a especialização em somente um tipo de exercício corporal,e sim
que deveria ser o melhor possível em cada um deles,mantendo um equilibrio.
Pela mesma,assim deduz uma série de 10 grupos de exercícios:
1-marcha 2-corrida 3-salto 4-quadrupedia 5-trepar 6-equilíbrio 7-lançamentos
8-trasporte 9-defesa 10-natação.

Raymond Belle(pai de David) teve contato direto com o MN no treimento dos bombeiros
militares na frança,e que durante a Guerra do Vietnã,ajudou civis e militares usando
técnicas do que futuramente seria melhor adaptado para o Parkour.
Sendo assim,Raymond,forjou seu filho viril,moral e fisicamente,de forma que,
depois de anos David Belle desenvolveu o Parkour,adapatando-o para o meio urbano e
com alguns acréscimos de movimentos e da própria filosofia do MN para o PK.

Enfim:

-No senso puramente “físico”, o Método Natural promove as qualidades de resistência
orgânica, muscularidade e velocidade, em função de poder andar, correr, pular,
movimento quadrúpede, escalar, andar em equilíbrio, arremessar, levantar,
defender-se, e nadar.

-No senso “viril” ou energético, o sistema consiste em ter energia suficiente,
força de vontade, coragem, frieza, e fermeté (“firmeza”).

-No senso “moral”, a educação, pela elevação das emoções, conduz ou mantem a
fibra moral de uma forma útil e benéfica.

Método Natural, no seu sentido mais abrangente, precisa ser considerado como o
resultado dessas três forças em particular; é uma síntese do físico, viril e moral.
Reside não só nos músculos e na respiração, mas acima de tudo na “energia” que é usada,
na determinação que direciona e no sentimento que guia.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"A árvore não percebe o próprio crescimento"

"Os limites só existem porque nos falaram deles
 Acho que o Parkour quebra muitos dogmas
 Não só a questão dos limites em si
 mas como a dos nossos caminhos
 isso acontece logo no inicio
 quando tu começa a treinar
 tu adquire uma visão diferenciada sobre o meio que te cerca
 pelo menos foi assim comigo
 tu deixa de ver paredes como algo que te prende e te limita
 e passa a ve-las como algo que te liberta
 Isso pq não andamos mais pelas calçadas
 nós corremos
 saltamos
 ultrapassamos
 vencemos
 e quando encontramos algo no caminho que ainda não conseguimos passar
 não damos a volta por ele
 não subimos mais por escadas
 nós subimos por onde queremos
 chegamos aonde precisamos através do caminho que nos bem entende
E fazemos nosso proprio caminho e chegamos aonde pretendiamos
Vencemos
E mais uma vez corremos, saltamos e ultrapassamos
Pois agora o obstaculo recentemente conquistado só significa uma coisa
Que crescemos"

 - Shanks from Santa Maria

 [o primeiro passo foi dado. a semente foi semeada. observamos agora o crescimento do pinheiro.]

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

The Culture of Possible

"The Culture of Possible" começou de uma vontade de organizar, compartilhar e evoluir alguns pensamentos. Esses que surgiram de um crescimento constante através dotreinamento constante. No parkour junto com a força, a velocidade e os músculos. Desenvolvem-se ideias. Maneiras de ver as coisas. Explicações para as mudanças. A mente se reajusta para aceitar as novas possibilidades do corpo.

Razões, motivos, o que te leva a pra frente? Qual o seuobjetivo? Qual sua motivação? O que não te deixa desistir? Por que você vive?

Quando você conheci o parkour, como muitos outros fiquei admirado e fui atraído pela vontade de ser e fazer o que aquelas pessoas faziam. Magnetizado por aquela capacidade. Aquele jeito de se mover. Aquele jeito de sentir o mundo. Eu queria aquilo pra mim. Eu queria ser capaz daquilo. Queria viver o mundo daquele jeito. 

Então surgiram as dúvidas.Como? Será que é pra mim? Será que eu consigo? Isso existe aqui? Está disponível no cardápio da minha vida?

Felizmente eu estava errado. Era possível.

Entrementes, do mesmo jeito que o próprio parkour parecia algo inatingível pra mim no início. Hoje inúmeras coisas me parecem inatingíveis. Coisas que vejo. Pensamentos. Idéias.

A diferença está no "parecem". E em não transformar esse 'parecem' em 'são'.

É fácil se acostumar com a idéia de que as coisas são inviáveis. "Aquilo não pode ser feito. É impossível". Mas do mesmo jeito é fácil se acostumar com a idéia de que as coisas são viáveis, são possíveis. 

Vocês já sentiram isso? Aquele instante quando o obstáculo que estava longe se aproxima. O músculo que estava tenso se relaxa. A voz do medo se cala. Acostumem-se com esse sentimento. Aprenda o que traz ele a tona. O que provoca esse estado. Se alguém souber me fala.


idéias vomitadas por:

mairus.stanislawsk

[texto retirado do blog 'The culture of Possible'

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pequena grande lembrança: Encontro Sulista de Parkour



Chamada do encontro:
http://www.youtube.com/watch?v=wgt7KvMg_Es&fmt18



Creio que a maioria já deve estar ciente do encontro sulista de parkour, um encontro apoiado e acompanho pela agpk, organizado por Kalebe, Onii, Luiz, entre outros. Esse treino tem como objetivo aproximar praticantes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Curitiba, rever amigos distantes, conhecer praticantes, trocar experiências e sem dúvidas treinar muito.

Será realizado em Floripa, mais especificamente nas pedras de floripa, acredito que todo tracer que não passou por lá possui um pequeno vazio nos seus conhecimentos do que é o parkour, local de treino simplesmente encantador, para quem já passou tenho certeza que muita saudade existe. O local de encontro será em Jurerê saindo do terminal rodoviário Santa Rita. (http://maps.google.com/maps?f=d&saddr=Terminal+Rodovi%C3%A1rio+Rita+maria&daddr=jurer%C3%AA&hl=pt-BR&geocode=&mra=ls&sll=-27.509623,-48.520619&sspn=0.356271,0.727844&ie=UTF8&ll=-27.522278,-48.499489&spn=0.178115,0.363922&t=h&z=12 )


Dúvidas na comunidade do orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=77630645


O Convite foi feito, contamos com a presença de todos. Em breve mais informações.


Abraço!